sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Um outro começo

Esta história começou a fugir da minha ideia inicial, a qual nem lembro mais o roteiro que ia seguir, então decidi deixá-la um pouco de lado, para ao poucos ir escrevendo o restante, e ver onde vai parar, mas por hora, resolvi ter um novo começo. Agora colocarei pequenos contos, poemas, ou o que vier na cabeça, começando com...

DEVANEIOS I - 1

Olho naquele espelho embaçado do banheiro, passo a mão para limpá-lo e, oh! Assusto-me ao olhar para aquela face disforme, monstruosa, com um sorriso sarcástico em teu semblante. Passo novamente a mão, pois acho que é apenas um delírio, e lá continua ele, com um sorriso ainda maior; lavo meu rosto com água fria, e ao olhar novamente para ele, ele começa a gargalhar, caçoando de mim.

_ Quem és? Pergunto eu.

_ Ora, não reconheces tua própria face, meu caro? Responde ele passando as mãos por seu rosto.

_ Mas se somos uma mesma pessoa, como estamos tendo esta conversa?

_ HA HA HA! - gargalha ele, maliciosamente - Ainda não percebeste que sou uma parte de sua consciência? Preso por todo esse seu moralismo, racionalidade e seus falsos ideais? (Ele, ou melhor, eu, me mostra seus pulsos acorrentados)

[Por conveniência continuarei a chamá-lo de “ele” nesta narrativa]

Fico perplexo, sem palavras para respondê-lo.

_ Sim, percebo que isso tudo não acorrenta a mim, mas a ti mesmo, não? Vejo pela sua falta de palavras. Enfim, assim é melhor. Você sempre foi todo certinho, tão apegado aos seus ideais, achando que com eles poderia tornar o mundo melhor, mas veja o que te aconteceu! Só merda nessa sua vidinha insignificante! Um emprego medíocre. Amor? Cadê? E pra quê? Amigos? E não me venha com este papinho de família não! Isso pra mim só era válido para aquele pessoal que pregava o “Tradição, Família e Propriedade” daqueles ultra-conservadores. Você é só uma marionete do sistema que você mesmo criou para si! Liberta-me! Liberta esta fera acorrentada! – gritava ele – Deixa teu lado animalesco fazer estrago nesta sociedade de covardes que se escondem atrás de contratos sociais, fingindo serem civilizados! Deixa-me instaurar o caos neste mundo, infectar a todos com esta loucura, com a verdade!

E qual é esta verdade? – grito eu interrompendo-o.

_ A verdade? Você quer realmente saber a verdade? A verdade é que todos somos animais! Socialmente nunca evoluímos, pelo contrário, regredimos! Ficamos com medo, nos escondemos atrás dessas regras! Deixe-me libertar o mundo dessa podridão!

E neste momento dou um soco no espelho, estilhaçando ele todo, fragmentos ferem minha mão. Olho o sangue escorrer e uma gota cair em um fragmento do espelho, ao que ela cai, escuto bem ao longe uma risada e uma pergunta: “Quanto tempo ainda conseguirá viver nessa farsa?”

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