terça-feira, 31 de agosto de 2010

Devaneios I - 2

Devaneios I – 2

Naquela noite chuvosa, caminhando a esmo, em meio a uma poça vejo aquele rosto refletido novamente.

_ Sei que me procuravas. – Ele disse.

_ Então sabes o porquê, não? – Respondo.

_ Sim.

_ Serei eu capaz de controlar estes impulsos bestiais?

_ Sim, e não. Você sente raiva, mas seu orgulho não permite mostrá-la, você sente angústia, mas é orgulhoso demais para aceitá-la, você é fraco, mas novamente o orgulho não permite que encare esse fato.

_ Quer dizer que meu orgulho me cega?

_ Sim. Enquanto não deixares o orgulho de lado, perceber que tudo tem dois lados, e aprender a controlá-los, não serás bom o suficiente para isso. Até lá, não me procures.

E ele some daquela poça.

Continuo a caminhar pensando no que ele diz, mas não faz sentido... Talvez seja por essa indiferença ao mundo e a mim mesmo. Mas por que me sinto assim? Por que isso? Não sei, mas nem mesmo estas palavras fazem sentido...

(texto incompleto por repentina indiferença ao mesmo, e conseqüente falta de inspiração)

sábado, 28 de agosto de 2010

Agora um novo livro de deavaneios, o Devaneios II, seguindo com cartas aleatórias, enquanto o Devaneios I terá diálogos de uma pessoa com ela mesma.... enfim:

DEVANEIOS II – 1

Carta de um coração morto

Deixo nestas linhas as últimas palavras de um coração a definhar.

Sei que meu tempo aqui é pouco, e não quero que seja diferente.

Bons momentos eu tive nesta vida, não posso negar, mas de batalhas vivi, ultrapassei barreiras que achava serem meus limites, me feri muito, mas a vontade de lutar era maior, mas, como todas as feridas, se não são bem curadas, tornam a te incomodar, ou até mesmo a sangrar novamente. As minhas se abriram, e sangrei.

Analisei cada sentimento, cada luta que tive, e percebi que a maioria foi em vão. Qual o motivo de tais feridas, pergunto eu? A resposta vem com o silêncio. Nenhum! Não há motivo para essas feridas, já que as lutas foram em vão.

Este coração hoje morre à toa, sem honra, sem a dignidade de morrer por alguém, morre de dor, tristeza e sofrimento, só não morre em silêncio, pois deixa estas palavras para os raros que as lerão.

Adeus, caros... Que vossos corações não tenham o mesmo destino que este, de morrer em prantos solitários.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Um outro começo

Esta história começou a fugir da minha ideia inicial, a qual nem lembro mais o roteiro que ia seguir, então decidi deixá-la um pouco de lado, para ao poucos ir escrevendo o restante, e ver onde vai parar, mas por hora, resolvi ter um novo começo. Agora colocarei pequenos contos, poemas, ou o que vier na cabeça, começando com...

DEVANEIOS I - 1

Olho naquele espelho embaçado do banheiro, passo a mão para limpá-lo e, oh! Assusto-me ao olhar para aquela face disforme, monstruosa, com um sorriso sarcástico em teu semblante. Passo novamente a mão, pois acho que é apenas um delírio, e lá continua ele, com um sorriso ainda maior; lavo meu rosto com água fria, e ao olhar novamente para ele, ele começa a gargalhar, caçoando de mim.

_ Quem és? Pergunto eu.

_ Ora, não reconheces tua própria face, meu caro? Responde ele passando as mãos por seu rosto.

_ Mas se somos uma mesma pessoa, como estamos tendo esta conversa?

_ HA HA HA! - gargalha ele, maliciosamente - Ainda não percebeste que sou uma parte de sua consciência? Preso por todo esse seu moralismo, racionalidade e seus falsos ideais? (Ele, ou melhor, eu, me mostra seus pulsos acorrentados)

[Por conveniência continuarei a chamá-lo de “ele” nesta narrativa]

Fico perplexo, sem palavras para respondê-lo.

_ Sim, percebo que isso tudo não acorrenta a mim, mas a ti mesmo, não? Vejo pela sua falta de palavras. Enfim, assim é melhor. Você sempre foi todo certinho, tão apegado aos seus ideais, achando que com eles poderia tornar o mundo melhor, mas veja o que te aconteceu! Só merda nessa sua vidinha insignificante! Um emprego medíocre. Amor? Cadê? E pra quê? Amigos? E não me venha com este papinho de família não! Isso pra mim só era válido para aquele pessoal que pregava o “Tradição, Família e Propriedade” daqueles ultra-conservadores. Você é só uma marionete do sistema que você mesmo criou para si! Liberta-me! Liberta esta fera acorrentada! – gritava ele – Deixa teu lado animalesco fazer estrago nesta sociedade de covardes que se escondem atrás de contratos sociais, fingindo serem civilizados! Deixa-me instaurar o caos neste mundo, infectar a todos com esta loucura, com a verdade!

E qual é esta verdade? – grito eu interrompendo-o.

_ A verdade? Você quer realmente saber a verdade? A verdade é que todos somos animais! Socialmente nunca evoluímos, pelo contrário, regredimos! Ficamos com medo, nos escondemos atrás dessas regras! Deixe-me libertar o mundo dessa podridão!

E neste momento dou um soco no espelho, estilhaçando ele todo, fragmentos ferem minha mão. Olho o sangue escorrer e uma gota cair em um fragmento do espelho, ao que ela cai, escuto bem ao longe uma risada e uma pergunta: “Quanto tempo ainda conseguirá viver nessa farsa?”