Sexta-feira, perto do fim do expediente, mala no carro, ansiedade batendo, vontade de ver a família.
Pego a estrada neste começo de noite, eles moram perto, e vamos todos passar o fim de semana na nossa chácara – até posso sentir aquele cheirinho invadir meus pulmões. Chegando lá, depois de uma hora e pouco de viagem, sinto não apenas esse cheiro, mas o de um belo churrasco também.
A festa foi boa, todos comendo, bebendo, falando alto, rindo bastante, mas agora que já é quase de manhã, vamos todos dormir. Porém essa não foi uma madrugada muito boa, fui acometido de terríveis pesadelos com aquelas fotos em meu apartamento. Saio para caminhar, por volta das cinco e pouco da manhã - pouco antes de o sol nascer – para ver se esfrio a cabeça. E qual o meu terror ao ver minha irmã pendurada em uma árvore (oh horror a percorrer meu corpo e minha alma!) com os galhos atravessando seu corpo e uma das fotos em sua mão ensangüentada! O que queriam dizer com isso? O que querem de mim? E principalmente: quem são eles, e por que eu???
Volto para meu quarto rápido e silencioso, para não acordar ninguém, pego minhas coisas, tiro a foto daquela mão, para reduzir as acusações de que teria sido eu o assassino, e saio assim que posso. Dirijo por horas a fio, até que, extremamente cansado paro em uma cidade pequena, e vou a um hotel para tentar descansar.
Entro no quarto e apago de tamanha exaustão.
